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História de Cícero

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altCícero chamava a atenção de cara. Como podia um adulto, homem feito, ainda com uma fissura daquela marcante no rosto? 44 anos de fissura, disse Cícero, quando começou a nos contar a sua história.

Lá em Quipapá, Pernambuco, vai-se vivendo assim, como pode. E a vida foi passando, passando, se achava velho demais para operar. - Velho?, perguntamos surpresos e experientes. Por trás daquelas palavras já avistávamos o medo da cirurgia, o medo da mudança, o medo da reação da familia e amigos, a conhecida dificuldade de se conseguir tratamento principalmente nessa região do Brasil.

 De alguma forma, ele havia se ajustado à fissura e adaptado sua vida ao longo dos anos. Tinha esposa, filhos, só trabalhar que era difícil e ia se vivendo como conseguia. Sofreu um bocado de preconceito na vida, mas passou por todos eles e agora estava ali, diante de uma equipe de médicos voluntários dispostos a marcar para sempre a sua vida.

Mas e o medo? O pavor de pensar em anestesia, maca, cirurgia? A simpatia e espírito de alegria dos voluntários foi criando um clima de confiança tal que fez Cícero "esquecer" o medo.

Esqueceu o medo, fez questão de tirar uma foto com o médico que o operou, deu um abraço forte em um por um da equipe agradecendo imensamente. E lá foi ele, com um sorriso novo começar uma vida nova, 44 anos depois.

- Minha mulher não vai acreditar! repetia.

 
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